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A melhor Maratona de São Paulo …

… 2014 teria acontecido se fosse com o clima dos dias seguintes ao da prova, com o de hoje teria sido a prova mais fantástica da história.

São Pedro castigou a cidade de São Paulo no último final de semana, sexta foi o dia mais quente da história da capital paulistana desde que começaram as medições e provavelmente os quase 37°C foram superados no domingo, no horário da corrida. Nem a chegada do horário de verão amenizou o problema visto que às 08:00(ou 07:00 do horário de inverno) a temperatura já estava 27°C na sombra e com vento.

Infelizmente, essa temperatura não combina em nada com corrida, nem se for na praia a beira mar, imagina no meio da selva de pedra de uma cidade seca a mais de 6 meses.

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014 – Opinião de um corredor de mentirinha

O que era previsto e foi amplamente divulgado pela rede social (ou anti-social), e que inclusive teve informativo enviado aos inscritos na prova por email(eu não li, mas um amigo iniciante nas corridas me perguntou muito preocupado sobre o clima e sobre as instruções e dicas recebidas) aconteceu.
O clima insano acabou com as perspectivas de bons tempos e com o sonho de completar a maratona de muitos corredores. Os treinos e a dedicação de tanto tempo foram queimados pelos raios UVA e UVB do sol que brilhou forte desde cedo acompanhando cada km da edição 2014 da Maratona de São Paulo. 

Eu que sou um dos maiores críticos dessa corrida, que corri e sofri em 2009 e 2010, acompanhei de bicicleta em 2011 e relatei muitos absurdos, em 2012 corri os 25km e ano passado( 2013) os 42km fui para a largada sem nenhuma pretensão de tempo, fui para conhecer o novo percurso que comparado com os anteriores me pareceu muito melhor e na prática eu achei o mais interessante de todas essas edições que participei, fui para ver os amigos, fui para testar meu joelho, fui para me divertir.
Desde a primeira previsão que teríamos um forte calor no dia da prova, minha intenção era simplesmente largar e se possível completar a prova, sem dores, sem traumas ou frustações, de preferência com boas histórias para contar.

Participei mais uma vez da pesquisa da USP com maratonistas, cheguei bem cedo na arena da prova e pouco vi, fui me apresentar para os exames pré-prova, fui para a largada com celular/câmera na mão e som preso ao flipbelt, não costumo correr com fones, só nos treinos, mas pela distância e tempo que eu iria correr optei em levar um incentivo extra, música para os kms.
Larguei com meu amigo estreante(ele ia para os 10km) e fui num ritmo confortável contando histórias, fotografando  e vendo os amigos passarem por nós até a entrada do túnel onde a prova de 10km retornava.

O túnel na ida foi uma festa só, com luzes, música e grande animação, uma verdadeira balada rumo a USP que diferente dos anos anteriores agora estava no início da prova e a tão extenuante e chata avenida politécnica ficava para trás antes de alcançarmos a meia maratona. Na USP comecei a ter problemas com dores no joelho, as mesmas do Rio de Janeiro em julho e a vontade de parar chegou forte, era questão de achar um bom lugar e fim de prova. Entre um papo e outro, no meio de tantas fotos e risadas contei ao amigo e triatleta Roberto Stanganelli que a dor tinha aparecido e que pararia no máximo na chegada dos 25km, a prova dele, e ele me ofereceu um analgésico que relutei e aceitei mesmo sem acreditar que pudesse fazer efeito, e fez. Três kms a frente a dor passou a ser suportável e na passagem do km 25 tinha desaparecido, o que me deu ânimo para continuar conhecendo o percurso novo.

Mais muitos amigos pelo caminho, muitas fotos e camaradagem, cenas dignas de filmes ganhadores do Oscar, os verdadeiros guerreiros do dia eram os espectadores da prova pelo caminho que incentivavam com faixas, cartazes e palavras, crianças com suas mãos estendidas e muitas assessorias esportivas com suas bases esperando por seus atletas e tratando e ajudando quem precisasse com seus alimentos e líquidos de todos os tipos. Esses sim fizeram a diferença, como também fizeram nos anos anteriores e melhora a cada ano com mais amigos e mais novidades para apoiar e entreter os maratonistas.

É uma grande festa que merece ser exaltada porque essas pessoas podiam ter ficado dormindo, assistindo TV ou ido curtir o calorão na piscina, mas preferiram ficar paradas no sol esperando por desconhecidos ou na expectativa da passagem de algum amigo mesmo torcendo para que esse amigo tivesse desistido de tamanha insanidade.

No final do parque do povo, antes do acesso a agora tão xingada marginal do Rio Pinheiros estavam os amigos da Corre Brasil apoiando a todos e distribuindo “geladinhos”, deixei com eles meu boné e toca do aranha que tinham ido para a prova comigo por engano e fui para o desconhecido, para o novo percurso, para o muro do km30 na mais quente avenida do planeta, e logo de cara encontrei a ultra mega master blaster top Claudia Souto rodando leve e solta mesmo depois de ter concluído os 246kms na Grécia, o papo tão bom e tão veloz que deixei ela partir e fiquei curtindo os 50°C que subiam do asfalto.

Foram praticamente 10km de marginal, calor absurdo e muito apoio de todos os lados para os corredores, eu parei em quase todos, tantos amigos parados fritando e incentivando quem vinha, encontrei e fui encontrado por pessoas que ainda não conhecia fora do virtual, amigas do Rio de Janeiro e do Mato Grosso do Sul derretendo nas ruas da famosa “terra da garoa(????)”, afirmaram que era o maior calor que já tinham encontrado correndo. No km 35 estavam as Divas que correm já em pane seca, restava apenas um finzinho de gelo com água no fundo do isopor que foi parar na cabeça de alguém. Quem, quem, quem?

Desse ponto em diante encontrei a amiga jornalista Simone Manocchio e fomos no melhor blablablarun até a chegada, ameaças de cãimbras apareceram, mas não passaram de ameaças, terminei a prova exausto mas com total consciência desde o início que não era uma corrida contra o tempo, era um passeio pelo quintal de casa que podia ser interrompido a qualquer momento sem o menor constrangimento.

Eu me diverti muito!!! Foram mais de 200 fotos no percurso, muitos papos, muitas risadas, muitas xingações e a certeza que Maratona não é o que querem que pareça ser.

Não é fácil correr, não é simples assim um dia acordar e resolver correr ou concluir uma maratona só para ser um MARATONISTA, antes de pensar em RESPEITAR a distância, as pessoas deviam respeitar o próprio corpo, treinar muito e entender se o treinamento foi adequado, se estão aptas a encarar tamanho desgaste.

Eu sei que para quem treinou arduamente é frustante não tentar chegar ao fim, finalizar o projeto seja como for,  mas por experiência própria em determinadas situações é mais importante saber onde parar que ficar sofrendo posteriormente.

Sobre a falta de água que muitos estão reclamando, isso é um caso muito interessante e estranho, vi muitos relatos de amigos que não tiveram problemas e conseguiram terminar bem a prova, uns com tempos maravilhosos de rápido e outros com tempos demoradíssimos e que também não tiveram problemas. Eu vi água em todos os postos do percurso, peguei em quase todos, peguei o isotônico, o gel e as batatas na marginal, não corri rápido, não cheguei entre os primeiros e o tempo que eu terminei a prova(4:39) eu já considero desumano para ficar correndo. Água gelada depois das 10:30 nem dentro de um freezer devia ter, mas mesmo assim vi muitos corredores pegando pedrinhas de gelo para colocar nas pernas.

Nunca recomendei, não recomendo e jamais recomendarei que alguém se inscreva em uma maratona pensando em ficar 05 horas ou mais em movimento(isso já considerando a prova perfeita, a organização impecável, a prova fora do Brasil como tantos gostam de exaltar, o percurso plano e a temperatura abaixo de 10°C).

Eu continuo torcendo para que a cidade de São Paulo consiga ter uma Maratona digna a sua importância, ter a população apoiando nas ruas e não buzinando e xingando dentro dos carros porque fez trânsito na manhã de domingo.

Eu sonho com o dia que os maratonistas paulistanos se juntem e apoiem essa ideia, mas nem os amigos mais próximos são favoráveis a isso porque é muito mais bonito correr no exterior, valorizar o que é dos outros e xingar o que não fazemos nenhum esforço para melhorar.

Vivemos a época da ostentação, em todos os níveis, e isso já chegou as corridas seja com os tênis ou acessórios mais caros ou com o rótulo de ter corrido uma maratona fora de sua cidade ou país.

Quem acaba pagando essa conta são os corredores que não podem pagar as viagens e são obrigados a aceitar as datas, horários e a BOA VONTADE de SÃO PEDRO(se esse santo também tiver dono já me avisem logo que eu apago, chega de dor de cabeça).

E os corredores citados acima, uma grande parte deles, não tiveram muita dificuldade em concluir a prova porque já treinam e vivem praticamente na exaustão.

Parabéns a todos que completaram a maratona de São Paulo 2014, todos são grandes maratonistas, viveram a experiência mais louca dos últimos tempos.

Eu me diverti muito, foram 42km de muita reflexão e um grande aprendizado, muitos amigos antes, pelo caminho e pós prova. Um domingo para ficar gravado na memória.

A única coisa RUIM foi ter conhecido o analgésico. Ele salvou a minha corrida só que com alguns meses de atraso.  Esse é o preço que se paga por ser um corredor de mentirinha, não sabia nem usar remédio permitido para aliviar a dor.

Parabéns aos brasileiros que acompanharam os quenianos no pódio, especialmente para o amigo Fredison Costa que conseguiu realizar um sonho mesmo com tantas dificuldades e brilhou mais que nosso amigo SOL.

Parabéns também a amiga Dani Barcelos que correu os 25km a convite da Água de coco Obrigado e foi a grande Campeã da Prova.

As fotos da prova estão em facebook.com/corridascolucci13 – CURTE LÁ!

Em breve mais fotos da feira da maratona e do domingo.

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No próximo domingo, treino especial eleições pelas ruas do centro de São Paulo, às 08:00 com saída e chegada na Avenida Paulita, no vão livre do MASP!!! 
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Sobre Antonio Colucci

Um corredor que escreve, 'RunPorter' e Pai do Diego. Correndo desde 2004; Escrevendo desde 2007; Pai do Diego desde 2008; Maratonista desde 2009.

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3 Comentários

  1. Aehhhh…
    Fantastico ! Parabéns pelo novo – velho espaço !
    Sucesso Sempre !
    E CADÊ AS FOTOS ? rs

  2. Oi Colucci!
    Adorei seu post… no ano passado eu corri os 42K e apesar de achar uma prova dura, eu gostei e achei a estrutura ótima… claro que poderia sair mais cedo, ter gente no percurso… mas fazer o que… só o tempo prá sensibilizar os organizadores nas melhorias e a população, para prestigiar o esporte!
    Parabéns por mais uma maratona!
    Abraços!

  3. Oi Colucci
    Bela postagem! Você disse tudo. Precisamos muito que esta maratona melhore e preze a saúde dos participantes. Foi um belo evento e o calor foi demais para longas distâncias.
    Parabéns por mais uma maratona em sua vida e a todos participantes, independente da distância percorrida.
    Muito obrigada por mencionar o meu nome 🙂
    Abraços
    Dani

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