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Breaking2 Nike – A física do projeto

Em 06 de maio de 2017, a Nike parou o mundo das corridas e todos ficaram de olho na pista do autódromo de Monza na Itália para acompanhar a tentativa de três super corredores e toda uma MEGA estrutura montada para se tentar correr a distância da Maratona(42.195 metros) em menos de 2 horas.

O que se viu foi um espetáculo e como todo espetáculo foi muito aplaudido e também muito questionado.

Foi muito questionado por não ser nada oficial, não ter nenhuma obrigação com medidas e aferições oficiais ou anti-dopagens. Foi muito aplaudido porque realmente foi uma mega produção com um super planejamento e se algo correu fora do planejado ninguém ficou sabendo de tão espetacular que foi.

Na nossa postagem da época, entre tantas opiniões prós e contras que acompanhamos pelas redes sociais, teve até uma que utilizou o local correto( o comentário do site) para questionar se nós corríamos ou se sabíamos o que era corrida. Respondendo a nossa leitora, nós além de correr por prazer e acompanhar o esporte corrida, também acompanhamos todas as formas relacionadas a corrida.

Agora que foi anunciado oficialmente o lançamento do Filme sobre o Breaking2, aproveitamos para publicar a ótima explicação FÍSICA sobre essa Mega Produção.

Quem explicou na época foi o nosso amigo Físico, corredor e maratonista Marcelo.

Vale muito ganhar uns minutos de vida LENDO a explicação e a vale mais ainda seguir o instagram dele que sempre trás muitas informações sobre corrida e física.

Boa Leitura!!!

 

Hoje um ser humano percorreu 42.195 m em 02:00:25. O feito histórico foi alcançado no Breaking2 da Nike: um projeto anunciado em 2016 cujo objetivo é nada mais nada menos que derrubar o tempo da maratona abaixo de 2 h cravadas. Meta arrojadíssima se nos lembrarmos que o atual recorde mundial da distância é 02:02:57 estabelecido em 2014 na Maratona de Berlin pelo Queniano Dennis Kimetto. Dessa forma, percorrer os 42.195 m em 2 h exatas significaria baixar o recorde mundial atual em cerca de 3 min. Mas seria isso muito? Bom, vejamos o gráfico da postagem, onde apresentamos os melhores tempos organizados por décadas desde o início de registros em 1908. Para baixar em cerca de 3 min o tempo de recorde mundial até o valor atual a humanidade levou cerca de 20 anos. Ao longo desse período o recorde caiu gradualmente, sendo necessárias 9 quedas para eliminar os tais 3 min. Bom, acho que já ficou claro o tamanho do desafio: baixar o recorde atual de uma vez em uma ordem de grandeza semelhante aquela que no passado precisamos de 20 anos pra fazer e o fizemos em passos graduais. Para isso o Breaking2 empregou o que há de mais moderno em tecnologia e conhecimento para selecionar atletas, percurso e condições ambientais que cientificamente podem influenciar a tarefa. E é claro muitos conceitos da Física estão presentes no projeto e ao longo dessa série de postagens compartilharei com vocês o que pude verificar e aprender da Física desse feito histórico. Discutiremos o tênis da Nike especialmente desenvolvido para o desafio, discutiremos detalhes da Patente da Nike, concedida em 2016 que lançou a tecnologia usada no projeto. Falaremos do percurso, das condições ambientais e de outros aspectos da física do Breaking2. Eu não perderia a discussão se fosse você. Ah, o ser humano responsável pelo feito de hoje chama-se Eliud Kipchoge. A barreira exata dos 02:00:00 não foi ainda quebrada, mas o Queniano chegou perto demais. O suficiente para colocar o dia de hoje na história da corrida. Em virtude das condições especiais utilizadas pela Nike para o evento o tempo de Eliud não será computado como recorde mundial. Mas, ainda assim, hoje um ser humano percorreu 42.195m em 02:00:25.

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CURTA e FIQUE INFORMADO SEMPRE

 

O Projeto Breaking2 envolve, entre outras coisas, a promoção do tênis Nike Vaporfly. Nessa postagem discutiremos o que há de especial nesse tênis do ponto de vista da Física. De uma forma simples, um tênis possui duas partes: (1) uma estrutura superior que envolve o pé e serve de cobertura e (2) uma estrutura inferior que forma a parte de baixo do tênis e é responsável pela separação entre o pé e o solo. É nessa segunda estrutura que iremos concentrar nossa atenção. Antes porém, vamos relembrar um conceito da Física que nos ensina que quando uma mola é comprimida ela absorve energia e que essa energia absorvida depende do quanto de deformação a mola sofreu e também do tipo de mola (material, etc). Num caso ideal uma mola poderá devolver toda a energia acumulada quando voltar a se expandir e é justamente com base nesse princípio que a Nike desenvolveu e PATENTEOU a estrutura ilustrada na postagem. Basicamente, trata-se de uma mola em forma de anel posicionada no interior da sola do tênis. Não é uma mola como aquelas que estamos acostumados a chamar de mola, mas atua exatamente do mesmo jeito. Quando o corredor pisa a estrutura se “achata” deformando-se e absorvendo energia. Quando o pé do corredor deixa o solo a estrutura “relaxa” e assume a sua forma original devolvendo parte da energia acumulada em sua deformação. Conceitualmente, esse “empurrão” pode diminuir o gasto de energia de cada passada e tornar a corrida mais “econômica”. A mola é feita de um composto de resina epóxi com fibras de carbono entrelaçadas. Essa combinação é muito conhecida na indústria e possui inúmeras aplicações. Fisicamente, sabemos também que a força com a qual a mola devolve a energia armazenada depende não só do material mas também da forma da mola e no caso da aplicação no tênis a maneira com a qual a Nike varia a “força da mola” é através da sua espessura. Difícil dizer quão eficiente é o mecanismo na prática e quanto dele foi responsável para o fantástico resultado de Kipchoge, mas que a Física envolvida é legal, isso é. Bom, nem só do tênis se tratou o evento Breaking2. Diversos outros aspectos cooperaram para a incrível marca. E adivinhe… falaremos de alguns deles. Não perca.

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CURTA e FIQUE INFORMADO SEMPRE

 

Na postagem anterior discutimos a Física do tênis desenvolvido pela Nike para o projeto Breaking2. Agora vamos falar de um outro aspecto físico relevante ao projeto: a resistência do ar. Todos nós já percebemos que a resistência do ar tem influência sobre o movimento. Fisicamente a energia “extra” que se precisa gastar para vencer o ar depende fortemente da velocidade do ar em relação ao “objeto” que se move. Maior velocidade, muito maior a resistência. A relevância desse parâmetro é gigantesca em esportes de alta velocidade como ciclismo e automobilismo. Mas e para a nossa corrida de rua? E para o Breaking2? Bom, o tema é amplo, mas para o propósito de hoje sobre o Breaking2 considere apenas que pesquisas sendo feitas desde a década de 70 sugerem que o simples fato de se manter uma distância de 1m do corredor a sua frente pode eliminar 80% da resistência do ar na corrida. No Breaking2 procurou-se a excelência nesse quesito através do uso de 30 (!!) “atletas coelhos” (ou pacers) que alternavam-se coreograficamente entrando e saindo da prova a cada volta de modo a manter-se sempre 6 deles em formação triangular a frente do corredor líder. Algo como o ilustrado na postagem, mas com corredores humanos e não coelhos de verdade rsrs. Agora vamos fazer uma conta… Segundo a literatura, eliminar-se a maior parte da resistência do ar correndo atrás de outro corredor pode significar 4s a menos por milha percorrida. Isso significa algo como 2,5 s por km, o que nos daria quase 2 minutos a menos no tempo final de uma maratona! Bastante. Numa prova comum a “blindagem” não é tão boa quanto o que se procurou obter no Breaking2 e também não é feita em 100% da prova como se fez no evento da Nike, logo (ok, um pouco de especulação aqui) pode-se imaginar que quase 1 minuto (ou talvez mais) dos cerca de 3 eliminados em relação ao recorde mundial pode ter vindo da “estratégia aerodinâmica”. Penso que isso não diminui em nada o feito. Pelo contrário. Ilustra ainda mais a beleza da cooperação de efeitos que precisaram ser otimizados para a conquista do resultado final. Parabéns ao Breaking2. Como corredor e Nerd, só tenho uma coisa a dizer: Vocês "Just did it" 😊

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Breaking2 Nike – verdade ou mentira?

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Sobre Antonio Colucci

Um corredor que escreve, 'RunPorter' e Pai do Diego. Correndo desde 2004; Escrevendo desde 2007; Pai do Diego desde 2008; Maratonista desde 2009.

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