segunda-feira , 19 agosto 2019

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Debatendo o “PIPOCA” na Corrida de Rua

Lá vem polêmica de novo.

Todos falam que é polêmica, uma grande parte faz que não vê, alguns defendem com unhas, dentes e muito ódio, a guerra(principalmente nas redes sociais) está instaurada e nada de real acontece.

São acusações de corredores contra os organizadores, são justificativas para as falhas ocorridas nas provas  jogadas contra os tais “PIPOCAS”, e a guerra continua sem solução.

LEIA AQUI: Corredores FORA DA LEI

 

O estopim para que alguma coisa seja feita aconteceu na corrida de São Silvestre de 2016, a prova que acontece no último dia do ano na cidade de São Paulo é uma grande festa, é uma verdadeira micareta, uma confraternização de todos os seres que estão acordados na cidade de São Paulo e resolvem ir para a rua para tentar aparecer na televisão.

Por ser uma corrida televisiva, festiva, famosa e com excessiva divulgação por pessoas/mídias não especializadas no esporte corrida ela deixou de ser uma corrida e passou a ser uma grande bagunça em vias públicas. Essa péssima divulgação conseguiu transformar a corrida de 15 kms em ‘maratona’ e durante a transmissão o narrador praticamente “convoca” todos os telespectadores a participarem da festa correndo.

O que essa turma não especializada esquece é só de avisar que para participar dessa GRANDE FESTA é preciso estar devidamente inscrito através do pagamento de uma taxa e ser cadastrado pela organização para receber os benefícios da corrida como o kit pré prova, a hidratação durante o percurso e o kit pós prova.

DEBATENDO O pipoca NAS CORRIDAS

 

A Yescom, empresa organizadora de corridas de rua pioneira do mercado e organizadora da corrida do santo do último dia do ano convidou a imprensa, assessorias de corrida, fotógrafos e sites de corrida para debater esse assunto tão polêmico.

A reunião aconteceu em um hotel de São Paulo onde foram apresentados números das corridas, informações que são especuladas por todos os lados via rede social foram colocadas na tela, os participantes puderam opinar e perguntar sobre todos os fatos, valores e normas legais para se organizar uma corrida de rua.

Muitos saíram surpreendidos com a quantidade de fraude que acontece em uma simples corrida de rua, os custos para tentar coibir e vencer os malandros também entram na conta paga pelos corredores inscritos que participam de prova e nem imaginam a quantidade de falcatruas que acontecem nos eventos de corrida.

Para organizar uma corrida de rua existem os custos fixos de escritório normais a qualquer empresa legalmente estabelecida com impostos, funcionários, água, luz, telefone, equipe especializada, marketing, divulgação, aluguel, material de escritório e tantas outras coisas durante o ano todo.

Uma empresa, em um país capitalista, que não tem finalidade filantrópica visa o lucro.

Leio diariamente na rede, acusações que a corrida de rua virou comércio, que querem ter lucro e sei lá o que.

Isso é e sempre será uma VERDADE absoluta, não conheço ninguém que trabalha de graça, que mantenha uma empresa para ter prejuízo, que pague para trabalhar.

A lista com os custos variáveis de cada evento de corrida leva em consideração muitas regras, muita burocracia e normas que devem ser seguidas de acordo com a quantidade de participantes, normas que seguem padrões internacionais, padrões das confederações e federações de atletismo, padrões dos órgãos públicos, padrões da vigilância sanitária, de normas médicas e de segurança.

Uma lista interminável que desanima entrar no detalhe e nas particularidades de cada item, mas que se faz necessário um apoio jurídico para interpretar e cumprir corretamente as regras.

Nesse item entram as faixas para comunicação visual, segurança pública e particular, gradil, ambulâncias, ambulatório, staffs, empresas especializadas.

Leio diariamente na rede que a rua é pública e que todos tem o direito de ir e vir.

Constitucionalmente é verdade, mas a partir do momento que o responsável pela utilização das ruas autoriza mediante a cobrança de taxas que uma empresa utilize a via com fins previamente determinados, os outros não mais têm o direito de utilizar até que esse período de “aluguel” e a devolução pelo locatário seja feita nas condições acordadas pelas partes.

Se a prefeitura fechar uma rua para consertar um buraco, ou a polícia colocar uma viatura proibindo a passagem por qualquer que seja a via, você vai lá “quebrar” esses bloqueios porque tem o direito de ir e vir na rua pública?

Com todo esse trabalho ainda não existe uma corrida, um kit com camiseta, o número, a medalha, a cronometragem, um local para entregar o kit, as pessoas para preparar e entregar esse material e tantas outros detalhes que para a maioria das pessoas passa despercebido.

Leio diariamente na rede que existem corridas de R$20,00 e até corridas GRÁTIS que são melhores ou que por serem GRÁTIS não pode reclamar de falhas.

NÃO EXISTE NADA GRÁTIS. Como dito acima, ninguém vai trabalhar de graça.

Essas corridas são pagas por alguém, os circuitos populares são pagos pelas prefeituras com dinheiro arrecadado com impostos e são essas corridas que deveriam ter maior controle e mais reclamação, afinal está sendo paga com dinheiro público e poucos conseguem ter acesso a essas inscrições que esgotam rapidamente e no dia da prova muitos dos que se inscreveram não aparecem porque era de graça.

E as corridas de R$ 20,00 + taxa são corridas incentivadas pela lei de incentivo ao esporte e merecem uma atenção ainda maior e muito mais cobrança aos organizadores porque também é muito difícil participar e nenhum corredor tem acesso aos dados da prestação de contas.

Quem consegue se inscrever nessas provas comemora, muitos só conseguem com “jeitinho brasileiro” e os que não conseguem lamentam achando que por ser de graça não podem reclamar.

Os fraudadores

Foram apresentadas fotos das pessoas não inscritas nas corridas usufruindo dos serviços destinados aos corredores inscritos e o mais grave e absurdo foi a quantidade de material APREENDIDO na triagem da chegada da corrida de São Silvestre.

Muitos números falsos, cópias grotescas e cópias quase perfeitas de números e canhotos para retirada de medalhas.

Esses números que foram apreendidos causaram um DESCONFORTO e uma grande DECEPÇÃO para o atleta que estava devidamente inscrito e teve seu número PIRATEADO e foi sumariamente DESCLASSIFICADO da prova.

Além da desclassificação, teve seu CPF e cadastro bloqueado no sistema para não participar de provas futuras. Se é uma pessoa honesta, de boa fé, vai ter que se explicar e provar que não teve vínculo com a fraude cometida.

O assunto é muito extenso, o debate é interminável, os criminosos estão aparecendo descaradamente e prejudicando todos, indiscriminadamente. O grande problema é que existem os defensores para os criminosos.

LEIA AQUI: Corredores FORA DA LEI

 

Entre as medidas apresentadas para tentar diminuir esse problema nas próximas corridas, a yescom propôs aos sites de fotografias que não mais registrem ou publiquem as fotos de “pipocas”, ou que sejam publicadas em um local exclusivo para NÃO INSCRITOS.

Assunto também polêmico para um post futuro:

PRINT de fotos de corrida dos sites.

 

MEDIDAS EDUCATIVAS

 

No mês que vem, na Meia Maratona Internacional de São Paulo será colocada em prática um novo formato para entrada nas baias de acesso a corrida com controle rigoroso na arena da prova e também no funil de chegada para evitar a passagem de pessoas não inscritas, o que incluirá acompanhantes que nem correm e que estão lá para prestigiar os parentes e amigos.

Nas redes sociais será divulgada uma campanha instrutiva e educativa sobre o tema com explicações sobre os problemas que o não inscrito causa a organização e principalmente aos devidamente inscritos, desde a utilização de apoio médico até o copo de água.

Na retirada do kit, na arena do evento e no percurso haverá comunicação visual sobre o tema.

Os inscritos receberão no kit um panfleto explicativo sobre o assunto, fato que gerou alguma estranheza aos participantes, afinal o inscrito não é PIPOCA.

O corredor inscrito muitas vezes nem repara que pode estar sendo atrapalhado ou prejudicado por um corredor não inscrito. Existe um grande número de corredores que correm pelo prazer de correr, não estão nas redes sociais para brigar ou ficar discutindo por assuntos de corrida, eles se inscrevem, retiram seus kits, correm e voltam para casa com suas conquistas pessoais, não ficam na arena do evento pós prova e nem percebem os problemas que acontecem após sua chegada.

Leio diariamente na rede que os preços são abusivos, que as corridas deveriam ser mais baratas e por isso correm de pipoca, como protesto.

Em contrapartida, leio que muita gente gostaria de fazer muitas coisas que são caras e nem por isso se apropriam de algo que não podem pagar.

Agora, o mais curioso é ver que tem em corridas de R$ 20,00 ou mesmo nas corridas GRÁTIS também tem uma quantidade grande de corredores não inscritos que querem ter o kit pós prova com medalha. Nesse caso não é um protesto contra o alto preço.

Nesse caso parece que se enquadra em algo como ‘pipoca profissional”, definição/nome engraçado que alguém escreveu ou disse nessas discussões.

Próximos passos dessa Campanha

 

Os próximos passos da campanha, de acordo com a Yescom, é ampliar a conversa com os outros organizadores de corrida, grandes e pequenos, de vários estados brasileiros sobre o assunto e também com os órgãos públicos que regulamentam a utilização das vias, da segurança e de todos os  controles.

 

SERÁ QUE VAI RESOLVER ALGUMA COISA?

 

A massificação do esporte corrida parece que é incontestável, em todos os finais de semana são diversas provas, de todos os temas, para todos os públicos, idades, classes, gêneros e definições de todas as formas.

A cada domingo são mais e mais os nomes de corridas que aparecem, corridas que muitas vezes nem dá tempo de ficar sabendo que vai acontecer e já aparece foto de pódio, de medalha, de superação, de novos recordes.

O que realmente parece que não tem jeito é a malandragem do brasileiro, é o jeitinho para fazer parte de algo que não necessariamente lhe é de direito, a vontade de mostrar para o mundo uma realidade que não é de verdade, e isso não se aplica somente aos corredores que entram na corrida sem estarem devidamente inscritos, isso não se aplica ao fraudador que vende número de peito falsificado ou ao vendedor de medalhas em site de comércio aberto, isso se aplica a falta de educação, falta de respeito, de coletividade.

Parece que a vontade de trapacear é maior que o valor financeiro das coisas.

Parece que é bonito ser o esperto.

Isso é válido para os dois lados, o que acusa de estar protestando e o que responde que a falha é por conta do protestante.

Não é uma exclusividade da corrida, é uma realidade do BRASIL, quiçá do mundo.

O dia que acontecer uma GRANDE corrida sem nenhum “corredor não inscrito”, qualquer falha que ocorrer será culpa do organizador que não terá em quem colocar a culpa.

Enquanto os corredores continuarem a usufruir da estrutura das corridas, os organizadores terão “uma muleta” ou “um pipoca” para justificar qualquer erro e principalmente os altos  valores das provas.

Sobre valores/Preços cobrados para participar das provas.

Questionado sobre o tema, a Yescom exemplificou que as inscrições para as provas que ela organiza são abertas com preços iniciais PROMOCIONAIS e que, caso o corredor descubra ao se aproximar da data da prova que não poderá participar, existe no regulamento a possibilidade de devolução do valor pago com o cancelamento da inscrição.

LEIA AQUI: Corredores FORA DA LEI

 

Colucci

Blog e Run

SempreCorrendo.com.br

 

Sobre Antonio Colucci

Um corredor que escreve, 'RunPorter' e Pai do Diego. Correndo desde 2004; Escrevendo desde 2007; Pai do Diego desde 2008; Maratonista desde 2009.

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